O Agronegócio e o Turnaround

O Agronegócio e o Turnaround

Atualmente debate-se muito a respeito da situação do Agronegócio no Brasil. O presente artigo tem o objetivo de demonstrar de uma forma macro o cenário atual, os riscos e uma análise do processo de reestruturação de empresa (Turnaround).

O Agronegócio, além do papel social, representa 20% do PIB e 20% dos empregos no Brasil. É composto por Agricultura e Pecuária (Agropecuária), e produtos correlacionados (máquinas, equipamentos, sementes, fertilizantes, tecnologia, etc.). Já sob a perspectiva estrutural e sistêmica, é composto por três atuações: Produtores rurais: detentores de pequenas, médias ou grandes propriedades onde há a produção rural; Fornecedores de insumos rurais: fabricantes de máquinas e equipamentos rurais, fornecedores de pesticidas, herbicidas, fertilizantes, sementes, etc.; Processamento, distribuição e comercialização: frigoríficos, distribuidoras de alimentos, indústrias, supermercados, entre outros.  

“A situação do Agronegócio no Brasil tem tido seu papel fundamental durante a crise do COVID-19…” 

A situação do Agronegócio no Brasil tem tido seu papel fundamental durante a crise do COVID-19, com safra recorde de grãos e aumento nas exportações. O agronegócio brasileiro está sendo essencial para segurar a atividade econômica durante a pandemia. Com a crise econômica agravada, muitos agricultores saíram em busca de renegociação de financiamentos ou novos recursos para recompor o caixa e preservar o negócio.

No período, de janeiro a agosto de 2020, a balança comercial brasileira do agro registrou superávit recorde de US$ 61,5 bilhões. As exportações somaram, em receita, US$ US$ 69,6 bilhões no acumulado dos oito primeiros meses deste ano, alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2019, e 152,4 milhões de toneladas em volume (aumento de 15,8%). A China está sendo o principal destino das exportações dos produtos brasileiros. 

Fazendo uma análise, as grandes instituições representam um número de empresas menor dentro do Agronegócio e são muito estruturadas, então, o foco será mais dedicado para os médios e pequenos agropecuaristas. Na maioria dos casos, o negócio foi iniciado por produtores rurais de famílias simples, que durante décadas e gerações cresceram com muito trabalho. Ocorre que, com as demandas e variações mercadológicas aparecem as contingências, que viram crises que abalam a estrutura familiar e acabam se misturando com a gestão. Com isso, em alguns casos, ocorre dissolução do negócio através da venda ou rateio das áreas rurais entre os sócios, herdeiros e/ou familiares, assim perdendo a finalidade, o valor e o esforço dedicado de muitos anos.

No cenário atual, existem riscos internos e externos que podem ocasionar uma desaceleração do Agronegócio no Brasil. Consideremos as principais variáveis, que são: (i) dependência do governo com relação as restrições fiscais; (ii) desaceleração do mercado da China, que representa 61% das exportações; (iii) investimentos para a adequação à legislação quanto aos impactos ambientais e aspectos sanitários; (iv) investimento em ciência e tecnologia para melhorar o gerenciamento de risco; (v) mudanças climáticas; (vi) variações cambiais; (vii) ocorrência de pragas e doenças; etc.

Diante dessas situações, a seguir faço uma explanação, apresento análises e recomendo algumas ações importantes de reestruturação (Turnaround) para minimizar os riscos e impactos, tais como: 

1. capacitar os integrantes da gestão;

2. criar um Conselho Consultivo ou Familiar;


iii. contratar uma consultoria especialista em gestão (se for o caso);

1. analisar e revisar o modelo de negócio e os riscos; 

2. elencar ações para mitigar os riscos mensurados;

3. identificar oportunidades operacionais;


vii. reestruturação econômica e financeira;

viii. execução e acompanhamento do negócio; 

1. correção dos desvios afim de atingir as metas pré-definidas. 


Importante analisar os critérios de Governança e ESG (Environmental, Social and Governance) que evoluíram para uma visão de investimento no agronegócio, trazendo discussões de como o setor está se adaptando e respondendo para mitigar os impactos.

As possibilidades das novas tecnologias e dos recursos digitais no agronegócio são inúmeras e crescentes. O produtor rural em condição insatisfatória para o mercado, sem os avanços tecnológicos, será difícil evoluir e melhorar a produtividade. 

“… a Lei do Agronegócio apresenta inovações legislativas…” 

Também, a Lei do Agronegócio apresenta inovações legislativas em diversas áreas do agronegócio, tratando de temas que abordam desde o financiamento até o crédito rural: a existência da figura do Patrimônio Rural em Afetação, a criação da Cédula Imobiliária Rural (CIR), ampliação da forma de emissão das Cédula de Produto Rural (CPR) e Cédula de Produto Rural (CPR) em moeda estrangeira, a constituição e excussão de garantias reais (novidade para estrangeiros) e a criação de um Fundo Garantidor Solidário (FGS). Por meio do FGS, operações de crédito realizadas por produtores rurais e financiamentos para implantação e operação de infraestruturas de conectividade rural são garantidas por recursos integralizados pelos participantes. Essa lei ajuda na análise da necessidade de recursos para o negócio.

Em uma situação mais crítica de crise, os produtores rurais há algum tempo conhecem os efeitos da Recuperação Judicial. A legislação que regula, tem como princípios norteadores a preservação e a continuidade da atividade da empresa em dificuldade extrema. Trata-se do último remédio legal, drástico e doloroso, ao alcance das empresas do Agronegócio que estão endividadas antes da extinção da sua atividade. Algumas delas se utilizaram desta ferramenta a fim de tentar garantir a sua preservação. 

Diante do cenário acima, um responsável pelo projeto de Turnaround deverá analisar o nível de risco do negócio, agilizar a dinâmica da gestão e equilíbrios econômicos e financeiros, analisar a inclusão de novas linhas de crédito, avaliar soluções tecnológicas que melhorem a eficiência e reduzam custos e despesas, tudo isso contribuindo para o aperfeiçoamento da gestão e das habilidades nas operações agrícolas – o que exige a necessidade de sofisticação dos executivos e dirigentes, que devem gerir o negócio de forma eficiente e dentro de níveis de riscos sustentáveis.