PwC: fusões e aquisições batem recorde histórico de operações em 2020

PwC: fusões e aquisições batem recorde histórico de operações em 2020

Volume cresceu 14% em relação a 2019. Principal setor de destaque foi o de tecnologia, responsável por 38% do total transacionado


O ano de 2020 apresentou o maior volume histórico de operações de fusões e aquisições no Brasil, totalizando 1.038 transações anunciadas — 2019 apresentou 912. O destaque das transações por região foi para o Sudeste, responsável por 679, um percentual de 65% do total no ano. Os dados são do relatório M&A 2020, produzido pela empresa de consultoria e auditoria PwC Brasil.

Leonardo Dell’Oso, sócio da PwC Brasil, explica que a pandemia do novo coronavírus motivou o aumento nas transações. “Os setores precisaram realizar exercícios estratégicos de sobrevivência e, muitas vezes, o caminho foi se associar com outra empresa para fortalecer seus negócios. Mas, além disso, tivemos empresas beneficiadas com a pandemia, como o agronegócio, a indústria farmacêutica e o ramo de tecnologia. Nesse caso, essas empresas compraram outros negócios para acelerar sua evolução e aumentar sua área de atuação”, explica.

Ele também pontua o motivo de destaque do ramo de tecnologia, o mais requisitado em 2020, responsável por 38% do total transacionado, seguido pelos serviços auxiliares e serviços de saúde, com 7%. “O setor de tecnologia lidera o ramo de transações há pelo menos cinco anos e ele deve continuar aquecido. Obviamente, a pandemia ajudou a intensificar o crescimento do setor, pois as pessoas começaram a utilizar plataformas de reuniões remotas e aplicativos, por exemplo”.

O sócio da PwC Brasil ressalta o crescimento das transações feitas pelos investidores nacionais, que corresponderam a 78% das aquisições e compras minoritárias. “Os investidores estrangeiros relutam em momentos de crises, no entanto, os investidores brasileiros costumam ver esses momentos como oportunidades”.

No entanto, apesar do aumento das transações, houve queda no valor negociado. Das 1.038 transações, 455 tiveram seu valor divulgado e correspondem a US$ 26,4 bilhões, uma queda de US$ 37,4 bilhões se comparado ao divulgado em 2019.

“Em parte, isso aconteceu porque as transações envolveram muito o setor de tecnologia e as startups, que puxaram essas transações. Ou seja, essas negociações envolvem empresas de menor valor, o que resulta em transações com valores médios. Mas vale lembrar que não são todas as empresas que divulgam esses dados, o que significa que uma delas pode ter feito uma negociação milionária, mas isso não será acrescido na conta”.

Também o governo foi responsável por propiciar parte das transações. Vinte e quatro foram relacionadas a privatizações e concessões, incluídas, por exemplo, infraestrutura energética, concessões de portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e transporte urbano.

Entenda o que é M&A

Na prática o termo se refere às operações de união entre empresas, ou seja, é um processo de compra ou venda de parte do negócio, ou em alguns casos de sua totalidade, para alavancar a empresa ou ganhar mais força no mercado.

A ação pode resultar em um crescimento acelerado e também em um aumento do portfólio das atividades que a empresa exerce. Em 2019, algumas das transações foram realizadas pela empresa Magazine Luiza, rede de varejo brasileira, que anunciou a aquisição da Hub Fintech, companhia de contas digitais e cartões pré-pagos.

Também o Banco BTG Pactual, banco brasileiro, realizou a compra minoritária de 49% do EQI Investimentos, um escritório brasileiro de agentes autônomos de investimento. Outro exemplo é a JBS, processadora de carnes brasileira, que anunciou a aquisição da norte-americana Empire Packing, responsável pela venda de carne bovina e suína embalada.

Cenário atual

Para Luís Alberto de Paiva, economista e presidente da Corporate Consulting, o cenário atual é de empresas mais favoráveis a receberem um sócio investidor. “Depois do período mais crítico da pandemia, os papéis das companhias estavam relativamente baratos e, para 2021, há a projeção de um ano de dificuldade. O planejamento não é acelerar o crescimento, mas focar na liquidez”, alerta.

Paiva frisa que os valores baixos de juros, com taxa Selic de 2% ao ano, tornam o cenário propenso para investimentos. “As pessoas buscam negócios que trazem uma melhor rentabilidade e o mix de atuações para seu portfólio de ação. E o capital de terceiros é mais em conta que capital próprio, ou seja, adquirir uma nova empresa para crescimento é, muitas vezes, mais viável do que esperar o período necessário para esse tipo de alavancagem”.

Paiva ressalta que muitos empresários se sentem paralisados e com receio do novo cenário. Por isso, sugere a remodelagem do padrão de negócio. “A remodelagem é muito importante. O consumidor tem expectativas diferenciadas e as empresas têm que ser reinventadas de maneira criteriosa. E, claro, as transações de aquisições e fusões compõem uma estratégia para obter um mix de atuações”, finaliza.

Publicado por Correio Braziliense