Le Postiche apresenta plano a credores

Le Postiche apresenta plano a credores

Varejista em recuperação judicial propõe pagamento de dívidas com deságio de até 70% ao longo de 15 anos

Por Raquel Brandão — De São Paulo

Fortemente afetada pela pandemia, a Le Postiche apresentou no último dia 26 seu plano de recuperação judicial aos credores. Com R$ 64,6 milhões em dívidas, a companhia está propondo aos credores que nos primeiros 12 meses sejam pagas as dívidas trabalhistas e, a partir daí, o prazo de pagamento a outros credores seja de 15 anos, com deságio de até 70%. A expectativa é de que a assembleia para avaliação do plano ocorra até novembro.

A varejista de bolsas e acessórios tem R$ 3,4 milhões em dívidas trabalhistas com quase 200 colaboradores. Nesse caso, não é previsto deságio. A dívida também se divide em outros dois grupos de credores: R$ 21,1 milhões são com bancos e R$ 29 milhões, com fornecedores. Para essas categorias de credores, há deságio. Mas “credores estratégicos” ou “credores parceiros”, aqueles que seguem mantendo negócios com a empresa, têm melhores condições para receber. Há ainda R$ 11,1 milhões de mútuo (empréstimo de sócio), cujo pagamento acontece após todos credores receberem.

“Os credores estão sendo bastante receptivos”, diz Luís Alberto Paiva, presidente da Corporate Consulting, empresa contratada para assessorar economicamente a varejista em sua recuperação judicial. Fundada em 1978 em São Paulo, pela família Restaino, que segue como controladora, a Le Postiche entrou com o pedido de recuperação judicial em abril.

Enquanto esclarece o plano, a companhia também tem trabalhado para ajeitar a casa. Há por exemplo, negociações com locadores, em especial shoppings, para redução de aluguéis a nível mais “palatável” à nova realidade da empresa, segundo Paiva. No caso dos locadores, foi criada até mesmo uma subcategoria de credores para aqueles que se adequarem às necessidades da empresa.

“Conseguimos colocar a empresa em um ponto de equilíbrio. Não produz mais prejuízo. Desde o pedido de recuperação não precisou pedir empréstimos, as compras são feitas à vista e o nível de estoques está bom”, argumenta. Nesse período, a companhia fechou 35 lojas. Hoje são 45 lojas próprias e 93 franquias.

Operando com 60% do patamar de antes da pandemia, a empresa diz que o faturamento já é superior. Nos últimos anos, as vendas das lojas próprias giraram em torno de R$ 60 milhões, diz Paiva. A expectativa para 2021 é de que cheguem a R$ 90 milhões, mas ainda bem inferior a períodos mais promissores. Em 2017, segundo reportagem do Valor, o faturamento total, incluindo lojas próprias e franquias, foi de R$ R$ 440 milhões. Naquele ano, 220 unidades estavam em funcionamento.

“Ainda não está claro o que é consumo represado, mas o que temos visto no último mês é um assentamento da pandemia e recuperação da economia. O movimento de Natal vai ser muito importante para balizar”, diz Paiva.

No radar está a retomada do mercado de turismo. A rede prevê que a demanda por malas de viagem se aqueça a partir de setembro. Mais à frente, a venda de mochilas ligada à volta às aulas também é esperada, depois de mais um ano sem aulas totalmente presenciais.

A companhia também considera mudanças na forma de fazer negócios. Hoje só duas lojas são em rua, o que deve ser a nova aposta para inaugurações. E a oferta poderá ir além de malas e bolsas. “Estamos analisando. É importante que tenha uma diversificação de suas atividades, com a operação tendo margem de contribuição mais significativa e com atuação mais digital.” A projeção é de que, estruturado, o canal on-line passe a responder por 20% das vendas.


Publicado por Valor Econômico