Fusões e aquisições subiram 94% ante 2020

Fusões e Aquisições no ano de 2021 estão com 656 operações até maio, contra 337 no mesmo período do ano passado (+94%). O volume das transações é estimado em R$ 272 bilhões, mais que o triplo de 2020 (R$ 89 bi). Segundo Luis Alberto de Paiva, economista e presidente da Corporate Consulting, a soma de endividamento recorde das empresas e mercado com apetite para compras explica o número.

Crescimento do M&A

O mercado de M&A (do inglês mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições) cresce em praticamente todos os números quando comparado ao ano passado, ou mesmo a 2019.

De janeiro a maio, em operações, registraram-se 350 em 2019, 337 em 2020 e 656 neste ano. O volume também subiu, com R$ 127 bi, R$ 89 bi e R$ 272 bi, respectivamente. E somente maio de 2021 foi responsável por R$ 139 bilhões desse volume. Os dados são do portal Fusões & Aquisiçôes.

Paiva, que preside a Corporate Consulting, com mais de 500 operações de reestruturação de empresas, inclusive em participação acionária, explica que a combinação mercado voraz por aquisições e empresários com dificuldades em enfrentar seus passivos alavancou o número.

“O endividamento das empresas de capital aberto cresceu mais de 50% em uma década em termos reais, ou seja, já descontada a inflação do período”, relata. O economista aponta que a situação é ainda mais drástica entre as empresas de médio e grande porte não listadas em bolsa. “Eventos, vestuário e varejo tradicional, por exemplo, não aparecem nesse mapa, pois são setores que não conseguiram chegar a estágio de IPO. E têm acesso muito mais restrito a crédito em condições razoáveis”.

Assim, essas companhias precisam recorrer a operações mais estruturadas e sofisticadas para conseguir investimentos ou reestruturação de seus passivos. “Não basta ligar para seu banco e solicitar créditos, ou lançar mais um OPA (oferta pública de ações). É preciso estruturar toda uma engenharia financeira que vai das garantias à comprovação de gestão eficiente e bom uso do capital pleiteado”, afirma Luis Paiva.

O economista aponta que essa dinâmica ajuda a aumentar as fusões e aquisições: “Empresários preferem vender ou fundir as empresas, permitir a entrada de sócios, inclusive majoritários, a enfrentarem sozinhos, mais uma vez, o cenário totalmente incerto do País”.

Na outra ponta, estão empresas grandes, investidores estratégicos e financeiros com caixa para investir, seja para aumentar a participação de mercado, no caso das empresas, ou diversificar portfólio e retornos futuros com a empresa recuperada, no caso dos investidores.


Publicado por Último instante