Em recuperação judicial, Aliança conquista 97% dos clientes

A Aliança Metalúrgica, fabricante de fechaduras e reguladores para gás especializada na classe C, cinco meses depois que entrou em recuperação judicial, está reconquistando a sua credibilidade junto ao mercado. Nesse período, mais de 90% dos clientes voltaram a comprar da empresa e com isso a previsão de faturamento é de R$ 245 milhões neste ano. Em 2018, a receita foi de cerca de R$ 120 milhões com uma carteira cada vez menor.


"Quando assumimos a empresa, ela estava com uma dívida de R$ 55 milhões e um faturamento mensal de R$ 10 milhões, que estava quase em sua totalidade comprometido com o pagamento de duplicatas. Agora, estamos beirando os R$ 20 milhões em receita mensal e 60% do faturamento é comprometido com a antecipação de recebíveis", disse Luis Paiva, presidente da Corporate Consulting, consultoria responsável pela reestruturação.

Paiva acrescentou que a meta para o fim do ano é fortalecer o caixa da empresa e destinar 30% do faturamento para essa operação. "No primeiro trimestre de 2020 já teremos caixa dentro da empresa."

Para dar conta dessas metas, Paiva ressaltou que, além de colocar a empresa em ordem e pagar todas as dívidas, uma dos objetivos estabelecidos é diminuir a terceirização dos processos na produção e com isso, reduzir a ociosidade na fábrica.

E esse esforço pode dar resultado. No ano passado, foram produzidos 9,7 milhões de reguladores de gás e 5,6 milhões de fechaduras. Para 2018, a estimativa é a fabricação de 12,1 milhões de reguladores e 7,4 milhões de fechaduras. A fábrica, localizada na cidade de São Paulo, opera em três turnos de produção, cinco dias por semana.

"Fizemos um trabalho forte junto aos nossos clientes para mudar a imagem da empresa. A credibilidade estava muito comprometida. Tivemos em torno de 70 'road shows' ao longo desses cinco meses para explicar aos clientes o plano de reestruturação. Com isso, reconquistamos 97% deles e, hoje, temos uma carteira de pedidos de R$ 36 milhões", afirmou.

Paiva contou que 37% das vendas são realizadas por pequenas lojas de construção que geram pedidos de até R$ 3 mil. "Reforçamos o nosso estoque porque esses clientes precisam ter produtos de pronta-entrega. Com isso, não há mais a ruptura na entrega dos pedidos que existia antes do plano de recuperação da empresa. Esse pequeno varejo, muitas vezes, não olha marca. Se não temos para atender, ele procura outro fornecedor."

O executivo ressaltou que a Aliança prevê investimentos para modernizar a produção e no desenvolvimento de novos produtos. "Os aportes estimados são de R$ 10 milhões nos próximos cinco anos. Está em estudo a entrada no segmento de cadeados. Queremos ter uma linha completa de metais para a construção civil."

A Aliança, que é uma empresa familiar com mais de 90 anos, tem em seu comando a neta do fundador, Daisy Lili. Ela, que é formada em Letras e assumiu a presidência após o afastamento da sua mãe que estava com problemas de saúde, não se considera "presidente". "Eu estou presidente. Contratamos uma empresa especializada para tocar essa recuperação e colocar os negócios nos eixos."


Publicado por Valor Econômico